Tarot e Cabala: precisamos falar sobre isso

Tarot e Cabala: precisamos falar sobre isso

Tempo de leitura: 5 minutos

Quero contar a vocês um pouco da celeuma que existe envolvendo a Cabala e o Tarot.

Se você entrou no universo do Tarot há pouco tempo, esta certamente é uma pergunta importante a se fazer. Será que, além de estudar os Arcanos do Tarot, para entendê-lo mais profundamente você precisará mergulhar no mundo da Cabala?

A resposta é: DEPENDE! Pois é, para algumas pessoas, a Cabala anda lado a lado com Tarot, enquanto que, para outras, não faz nenhuma falta. E quem tá certo? TODOS, dentro da sua perspectiva. Vou te explicar, vem comigo!

Existem duas vertentes: a Escola Simbologista e a Cabalista. Na Escola de Tarô Ysa Nuit, eu falo em detalhes sobre as diferenças entre elas, mas, em resumo, a linha que eu sigo e pratico é a Simbologista.

A Escola Simbologista enxerga o Tarô de forma completa, utilizando como base interpretativa exclusivamente a simbologia originária dos Arcanos.

A principal referência de um deck simbologista é o de Marselha. Na origem, o Arcano Justiça recebe o número 8, e a Força recebe o número 11. O primeiro a mudar isso foi Arthur Waite, cujas intenções, segundo ele mesmo, diziam respeito apenas a ele e eram em honra à sua Fraternidade Golden Dawn. Mas ainda dá para usar esse deck mesmo você seguindo a linha simbologista, tá? As alterações que ele fez não impedem o uso desse deck, eu mesma já o utilizei.

Um exemplo famoso de deck Cabalista é o Tarot de Thoth (leia o post que fiz sobre ele no meu insta – clique para abrir numa nova aba). Muitas pessoas o estudam de forma dedicada, utilizando suas imagens para compreender as Sefirot que compõem a Árvore da Vida. No entanto, se você for procurar textos antigos sobre as Sefirot, não vai encontrar nenhuma referência ao Tarot, porque essa associação só teve início mesmo no ano de 1850, com Eliphas Lévi, um jornalista e ocultista francês (ele acreditava que o Tarot havia sido trazido ao mundo pelo povo hebreu, através de Moisés).

Eliphas Lévi

O ocultista inglês MacGregor Mathers, em 1888, tomou por base o trabalho de Eliphas Lévi e desenvolveu um sistema próprio, associando cada arcano com uma letra hebraica, um símbolo astrológico e um signo cabalístico. Foi nessa época que a Golden Dawn deu seus primeiros passos. No decorrer do tempo, essa Ordem passou por muitas discordâncias e seus integrantes começaram a sair e fundar suas próprias Fraternidades, criando com isso seus próprios sistemas simbólicos de associação do Tarô com a Cabala.

MacGregor Mathers

Pessoalmente, prefiro a linha Simbologista porque ela coloca o Tarot como protagonista nos estudos, afinal, não vejo sentido em buscar um sistema simbólico para explicar um conhecimento que também é simbólico. Se eu quisesse aprender a Cabala, estudaria direto da fonte. Assim, para aprender o Tarot, eu indico que você estude o Tarot, sua simbologia original, que tem uma razão de ser e que não precisa ser adaptada para caber dentro de outro saber.

Já disse e repito (porque sou simbologista): o Tarot é completo, você não precisa da Cabala, da Astrologia, da Numerologia, de Magia esotérica alguma para compreendê-lo. Ele já é complexo o suficiente por si só e deveria ser honrado e visto como tal. Porém, se você já se enamorou pela Escola Cabalista, não tem nada que eu diga que te faça mudar de ideia, e tá tudo bem! Mas, como professora, eu preciso sempre falar sobre os fatos históricos, porque é assim que eu trabalho, com seriedade e pesquisa.

Aleister Crowley

Esse tema tá é longe de ser esgotado, e sei que ficou um tanto extenso o conteúdo, mas foi necessário, porque volta e meia eu recebo comentários negativos sobre pessoas que usam a Cabala com o Tarot, ainda mais do meu post sobre o Tarot de Thoth… Então me vi na obrigação de explicar que não tenho absolutamente nada contra a Cabala ou o Aleister Crowley.

O que apresento aqui são fatos, o Oráculo de Thoth é tão único e exclusivo que merece ser estudado de forma dedicada, porque não dá para adaptar o conhecimento simbologista do Tarot às suas cartas, porque diferem demais.

E hoje eu quis justamente trazer mais fatos históricos para vocês, porque eu trabalho dessa maneira, sempre com muito respeito à pesquisa.

Quero também deixar claro que admiro demais quem utiliza o deck do Crowley, pois ele é muito profundo e quem o decodifica de verdade, realmente se dedicou, porque não é fácil.

Por sinal, a primeira consulta de Tarot que tive foi com esse conjunto de cartas e a taróloga tornou-se minha professora. No entanto, na hora de passar a bibliografia, ela falou para a gente seguir o Nei Naiff, porque ele abordava o Tarô original, simbologista.

Nei Naiff

Muito se engana quem pensa que o Nei Naiff não suporta a Cabala, a verdade é que até livro sobre ela ele já redigiu. E é justamente por estar tão por dentro do universo esotérico que o Nei percebeu que a confusão foi imensa quando misturaram os dois conhecimentos, gerando um equívoco generalizado: o de que uma coisa estava intimamente conectada com a outra.

Pessoalmente, o conhecimento da Cabala nunca fez falta no meu ofício como taróloga, e tá TUDO BEM se você tiver uma visão do Tarot diferente da minha. É por isso que hoje existem essas duas vertentes, cada um segue a que fizer mais sentido pra si.

Os comentários foram encerrados, mas trackbacks e pingbacks estão abertos.